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Data de Cadastro: 14/08/2012 as 21:10:20 alterado em 14/08/2012 as 21:12:20

Boletim Informativo de Influenza: Semana Epidemiológica 32

 

Boletim
Informativo


Secretaria de Vigilância em Saúde
Influenza (Gripe) - Semana Epidemiológica (SE) 32 (atualizado até 12/08/2012)



Acesse aqui a versão do Boletim de Influenza em PDF

 

 

A influenza (gripe) é uma infecção viral que afeta principalmente nariz, garganta, brônquios e, ocasionalmente, os pulmões. A infecção dura aproximadamente uma semana, sendo reconhecida por apresentar febre alta de início repentino, acompanhada por dores musculares, dor de cabeça, mal-estar intenso, tosse não produtiva, coriza e rinite.

O vírus influenza é transmitido facilmente de uma pessoa infectada para outra por meio de gotículas e pequenas partículas produzidas pela tosse, espirro ou durante a fala, além do contato das mãos com superfícies contaminadas. No Brasil, os vírus influenza predominantes são o Influenza A e o Influenza B. Os subtipos da influenza A que predominam são: o A/H1 sazonal, A/H3 sazonal e A(H1N1)pdm09.

A influenza ocorre durante todo o ano, mas é mais frequente nos meses do outono e inverno, quando as temperaturas caem, principalmente no sul e sudeste do país.

Durante uma epidemia sazonal de influenza, cerca de 5% a 15% da população é infectada, resultando em aproximadamente 3 a 5 milhões de casos graves por ano e de 250 a 500 mil mortes no mundo, principalmente entre idosos e portadores de doenças crônicas.

Dados dos Estados Unidos da América (EUA) demonstram que entre 1976 e 2007 ocorreu uma média anual de 73.363 óbitos por pneumonia e influenza, sendo que 8,5% (6.309) foram relacionados à infecção por influenza.

No Brasil, no ano de 2011 foram registradas 750.006 internações por influenza e pneumonia no Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH) (CID-10: J09 a J18).

 

CONTEXTO INTERNACIONAL

 

Segundo os dados da OMS, OPAS e dos países, destaca-se que:

 

·         No hemisfério norte, a atividade gripal manteve-se baixa, conforme esperado para o período.

o       Estados Unidos da América: Ocorrência de circulação de nova variante do vírus H3N2 (H3N2v) com o gene M a partir da influenza A(H1N1)pdm09, identificados desde novembro/2011. Em julho/2012 foram notificados cinco casos, todos com história de contato com suínos em feira local.  Até 10 Agosto 2012 o número de casos confirmados é de 153, concentrados em dois estados americanos (Indiana e Ohio), sendo a maioria dos pacientes composta por crianças. Os sintomas se assemelham aos da gripe sazonal.

 

·         No Hemisfério Sul, a gripe começou a declinar em muitos países. O vírus da Influenza A (H3N2) foi o subtipo mais comumente relatado nas últimas semanas, com destaque para o Chile, África do Sul, Austrália e Nova Zelândia.

o       Cone Sul: Na Argentina (87%), Chile (80,6% ) e Paraguai (67%), predomina o VSR. A atividade da influenza no cone sul da América do Sul parece ter atingido o pico e começaram a diminuir no Chile, manteve-se baixa na Argentina e continuou a aumentar no Paraguai.  A Influenza A (H1N1) pdm09 foi o vírus da gripe mais comum detectado no Paraguai, áreas vizinhas do sul do Brasil e da Argentina.

 

 

CONTEXTO NACIONAL

 

Para validação das informações registradas no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), as análises para o contexto nacional referem-se aos registros de todos os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave que foram internados (SRAG internado) com data de início dos sintomas até 12 de agosto de 2012, referentes à semana epidemiológica 32 (SE 32/2012).

 

Pequenas diferenças entre os números apresentados nesse boletim em comparação com as publicações das Unidades Federadas (UF) podem ser observadas, dependendo do período trabalhado. Essas diferenças não configuram incorreções e são ajustadas nas semanas subsequentes.

 

PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DA SINDROME RESPIRATÓRIA AGUDA GRAVE NO TOTAL DE CASOS GRAVES

Em 2012, o total de casos acumulados da semana epidemiológica 01 até 32, referente ao período de 01/01/2012 a 12/08/2012, é de 14.824 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave. Na semana epidemiológica 26/2012 registrou-se o maior número de casos graves no período (Figura 1).

 

Figura 1: Casos de SRAG hospitalizados segundo vírus identificado e por semana epidemiológica do início dos sintomas. Brasil, até SE 32/2012.

 

 

Fonte: SINAN. Dados atualizados em 13/08/2012, sujeitos a alteração.

 

Do total de casos de SRAG internados, a influenza foi responsável por 22% (3.214/14.8245) e, destes, 72% (2.310/3.214) pelo vírus pós-pandêmico A(H1N1)pdm09. As regiões que acumulam o maior número de casos registrados no período são Sul: 60% (8.911) e Sudeste: 33% (4.851) (Tabela 1).

 

Tabela 1: Número total de casos de SRAG registrados da SE 01 a 32, discriminados para as duas últimas semanas, segundo UF e Região de Residência e classificação de SRAG, segundo SE de início dos sintomas. Brasil, dados atualizados até SE 32/2012.

 

 

PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DOS ÓBITOS POR SRAG

Em 2012, o total de óbitos por SRAG da semana epidemiológica 01 até 32, referente ao período de 01/01/2012 a 12/08/2012, é de 1.173 óbitos. Na semana epidemiológica 25/2012 registrou-se o maior número de óbitos no período e desde então se observa redução do número de óbitos por SRAG (Figura 2).

De acordo com os dados registrados no SINAN, do total de óbitos por SRAG, 51% (595/1.173) eram do sexo masculino, a mediana de idade foi de 46 anos (intervalo 0 a 99 anos). Dos óbitos, 60% possuem pelo menos uma comorbidade registrada. Dados das investigações de campo indicam que há um número significativo de subregistro para essas informações.

Figura 2: Óbitos por SRAG hospitalizados segundo vírus identificado e por semana epidemiológica do início dos sintomas. Brasil, até SE 32/2012.

 

 

Fonte: SINAN. Dados atualizados em 13/08/2012, sujeitos à alteração.

Do total de óbitos por SRAG, a influenza foi responsável por 29% (334/1.173) e, destes, 85% (284/334) pelo vírus pós-pandêmico A(H1N1)pdm09. As regiões que acumulam o maior número de casos registrados no período são Sul, com 47% (556), e Sudeste, com 40% (475). Não houve registro de óbito por qualquer tipo de influenza nas semanas epidemiológicas 31 e 32 (Tabela 2).

 

Tabela 2: Número total de óbitos por SRAG registrados da SE 01 a 32, discriminados para as duas últimas semanas, segundo UF e Região de Residência e classificação de SRAG, segundo SE de início dos sintomas. Brasil, dados atualizados até SE 32/2012.


 

 

A taxa de mortalidade por SRAG é de 0,61/100 mil habitantes, a taxa de mortalidade de SRAG confirmado para influenza é de 0,18/100 mil e de 0,15/100 mil para os casos confirmados de influenza A(H1N1)pdm09 (Tabela 3).

 

Tabela 3: Taxa de mortalidade para SRAG, influenza e pelo vírus pós-pandêmico A(H1N1)pdm09, segundo Região/UF de residência. Brasil, até SE 32/2012 (encerrada em 12/08/2012).

 

 

Investigação de casos de SRAG e óbitos em Santa Catarina

 

Em conjunto com a Secretaria Estadual de Saúde de Santa Catarina, foram investigados 84 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave hospitalizados por influenza A(H1N1)pdm09 no período de 15 de junho a 09 de julho, dos quais 28 evoluíram a óbito e 56 evoluíram a cura.

 

Os resultados da investigação demonstram que ocorreu um aumento da circulação do vírus influenza A(H1N1)pdm09 em Santa Catarina neste ano e que entre os fatores que contribuíram para agravamento e óbito desses casos encontram-se: 1) Início tardio do tratamento com oseltamivir e 2) Presença de comorbidade, especialmente pessoas com cardiopatia crônica (insuficiência cardíaca, infartados, hipertensos) e obesidade (pessoas com IMC – relação peso-altura acima de 30), confirmando o padrão já conhecido de agravamento e óbito pelo vírus influenza A(H1N1)pdm09.

 

Investigação de óbitos no Rio Grande do Sul

 

Em investigação epidemiológica conjunta com a Secretaria de Saúde do Rio Grande do Sul, foi concluída a investigação de 53 óbitos, sendo 52 com confirmação laboratorial para Influenza A (H1N1)pdm09 e um confirmado pelo critério de vínculo clínico epidemiológico.

 

Foi identificado que 83% (44/53) dos óbitos realizaram tratamento com Oseltamivir, sendo que, desses, 91% (40/44) iniciaram o tratamento com mais de dois dias após o início dos sintomas. Quarenta e três por cento dos óbitos (23/53) procuraram atendimento por mais de uma vez antes da internação e 49,1% (26/53) apresentavam pelo menos uma comorbidade.

 

 

PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DA SINDROME GRIPAL

 

Até a SE 32/2012, foram coletadas 5.818 amostras de casos de SG. Desses casos, 16% (917/5.818) teve resultado positivo para influenza ou outros vírus respiratórios. Observou-se aumento da circulação do vírus influenza A a partir da SE 21 em comparação com mesmo período de 2011 e 2010 (Figura 3).

 

Figura 3: Monitoramento dos vírus respiratórios identificados nas unidades sentinelas de Síndrome Gripal, por semana epidemiológica de início dos sintomas. Brasil, 2012 (até a SE 32/2012).

 

 

A faixa etária com o maior número de amostras positivas foi a de crianças de até quatro anos. Nesse grupo de idade foram coletadas 2.175 amostras, das quais 458 (21,1%) foram positivas para influenza ou outros vírus respiratórios. O VRS apresentou maior percentual de positividade, nessa faixa etária, com 66,2% (303/458) das amostras positivas.

 

Entre os indivíduos das demais faixas etárias foi observada maior positividade para o vírus influenza A: 42,6% dos casos entre 5 e 14 anos; 49,6% dos casos entre 15 e 24 anos; 43% dos casos entre 25 e 59 anos; e, 40,5% dos casos de 60 anos ou mais (Figura 4).

 

Figura 4: Distribuição dos vírus respiratórios identificados nas unidades sentinelas de SG por faixa etária. Brasil, 2012 (até a SE 32/2012).

 

Fonte: SIVEP Gripe/SVS/MS. Dados atualizados em 13/08/2012, sujeitos à revisão.

 

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