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Data de Cadastro: 31/07/2012 as 20:00:49 alterado em 01/08/2012 as 12:17:36

Boletim Informativo de Influenza: Semana Epidemiológica 30

Boletim
Informativo


Secretaria de Vigilância em Saúde
Influenza (Gripe) - Semana Epidemiológica (SE) 30 (atualizado até 29/07/2012)



Acesse aqui a versão do Boletim de Influenza em PDF

 

A influenza (gripe) é uma infecção viral que afeta principalmente nariz, garganta, brônquios e, ocasionalmente, os pulmões. A infecção dura aproximadamente uma semana, sendo reconhecida por apresentar febre alta de início repentino, acompanhada por dores musculares, dor de cabeça, mal-estar intenso, tosse não produtiva, coriza e rinite.

O vírus influenza é transmitido facilmente de uma pessoa infectada para outra por meio de gotículas e pequenas partículas produzidas pela tosse, espirro ou durante a fala, além do contato das mãos com superfícies contaminadas. No Brasil, os vírus influenza predominantes são o Influenza A e o Influenza B. Os subtipos da influenza A que predominam são: o A/H1 sazonal, A/H3 sazonal e A(H1N1)pdm09.

A influenza ocorre durante todo o ano, mas é mais frequente nos meses do outono e inverno quando as temperaturas caem principalmente no sul e sudeste do país.

Durante uma epidemia sazonal de influenza, cerca de 5 a 15% da população é infectada, resultando em aproximadamente 3 a 5 milhões de casos graves por ano e de 250 a 500 mil mortes no mundo, principalmente entre idosos e portadores de doenças crônicas.

Dados dos Estados Unidos da América (EUA) demonstram que entre 1976 e 2007 ocorreu uma média anual de 73.363 óbitos por pneumonia e influenza, sendo que 8,5% (6.309) foram relacionados à infecção por influenza.

No Brasil, no ano de 2011 foram registradas 750.006 internações por influenza e pneumonia no Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH) (CID-10: J09 a J18).

 

CONTEXTO INTERNACIONAL

 

Segundo os dados da OMS, OPAS e dos países, destaca-se que:

 

§           Hemisfério norte: com o encerramento da sazonalidade, observa-se que a atividade do vírus influenza foi branda e já declinou, mostrando que a doença está fora de seu período sazonal. Nas Américas, destaca-se:

-            Estados Unidos da América: foi confirmado surto de nova variante do vírus H3N2 (H3N2v) com o gene M a partir da influenza A(H1N1)pdm09. Não há evidência de transmissão sustentada deste vírus de humano para humano.

-            México: Surto de H7N3 em aves domésticas, sem impacto na saúde pública. Medidas de controle foram adotadas pelas autoridades nacionais.

 

§         Hemisfério sul:

-            Austrália e Nova Zelândia: OA(H3N2) manteve-se como o vírus circulante predominante.

-            Chile: 84% são VSR, 9% Influenza A, havendo co-circulação do A(H3N2) e da gripe A(H1N1)pdm09 respectivamente.

-            Paraguai: aumento na proporção de óbitos por SRAG, com predominância do A(H1N1)pdm09 entre os casos graves.

-            Argentina: o vírus Sincicial Respiratório (VSR) foi o mais frequente com 91% das amostras positivas. Na região de fronteira com o Brasil (Missiones e Entre Rios) e outras, foi registrada a maior proporção de aumento de casos de gripe em comparação com a média nacional.

 

CONTEXTO NACIONAL

 

Para validação das informações registradas no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), as análises para o contexto nacional referem-se aos registros de todos os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave que foram internados (SRAG internado) com data de início dos sintomas até29 de julho de 2012, referentes à Semana Epidemiológica 30 (SE 30/2012).

 

Pequenas diferenças entre os números apresentados nesse boletim em comparação com as publicações das Unidades Federadas (UF) podem ser observadas dependendo do período trabalhado. Essas diferenças não configuram incorreções e são ajustados nas semanas subsequentes.

 

PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DA SINDROME RESPIRATÓRIA AGUDA GRAVE NO TOTAL DE CASOS GRAVES

Em 2012, o total de casos acumulados da semana epidemiológica 01 até 30, referente ao período de 01/01/2012 a 29/07/2012, é de 12.519 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave. Na semana epidemiológica 26/2012 registrou-se o maior número de casos graves no período (Figura 1).

 

Figura 1: Casos de SRAG hospitalizados segundo vírus identificado e por semana epidemiológica do início dos sintomas. Brasil, até SE 30/2012.

Fonte: SINAN. Dados atualizados em 29/07/2012, sujeitos à alteração.

Do total de casos de SRAG internados, a influenza foi responsável por 22% (2.763/12.519) e destes, 75% (2.059/2.763) foram pelo vírus pós-pandêmico A(H1N1)pdm09. As regiões que acumulam o maior número de casos registrados no período são Sul: 60% (7.546) e Sudeste: 32% (4.001) (Tabela 1).

Em comparação com os dados da semana epidemiológica anterior, segundo a data de início dos sintomas, a SE 30/2012 apresentou uma redução de 72% no total de casos de SRAG internados, de 94% no total de casos confirmados para influenza e de 97% na identificação de casos confirmados para o vírus pós-pandêmico A(H1N1)pdm09 (Tabela 1). Estas proporções devem ser ajustadas a medida que a vigilância epidemiológica dos municípios atualizem os dados com base nas investigações epidemiológicas e resultados laboratoriais ou que registros antigos sejam digitados no SINAN.

 

Tabela 1: Número total de casos de SRAG registrados da SE 01 a 30, discriminados para as duas últimas semanas, segundo UF e Região de Residência e classificação de SRAG, segundo SE de início dos sintomas. Brasil, dados atualizados até SE 30/2012.

 

PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DOS ÓBITOS POR SRAG

Em 2012, o total de óbitos por SRAG da semana epidemiológica 01 até30, referente ao período de 01/01/2012 a 29/07/2012, é de 971 óbitos. Na semana epidemiológica 25/2012 registrou-se o maior número de óbitos no período e desde então se observa redução do número de óbitos por SRAG (Figura 2).

De acordo com os dados registrados no SINAN, do total de óbitos por SRAG, 52% (502/971) eram do sexo masculino, a mediana de idade foi de 45 anos (intervalo 0 a 99 anos). Dos óbitos, 60% possui pelo menos uma comorbidade registrada. Dados das investigações de campo indicam que há um número significativo de subregistro para essas informações.

Figura 2:Óbitos por SRAG hospitalizados segundo vírus identificado e por semana epidemiológica do início dos sintomas. Brasil, até SE 30/2012.

Fonte: SINAN. Dados atualizados em 29/07/2012, sujeitos à alteração.

Do total de óbitos por SRAG, a influenza foi responsável por 31% (301/971) e destes,84% (254/301) foram pelo vírus pós-pandêmico A(H1N1)pdm09. As regiões que acumulam o maior número de casos registrados no período são Sul: 48% (466) e Sudeste:39% (374) (Tabela 2).

Em comparação com os dados da semana epidemiológica anterior, segundo a data de início dos sintomas dos óbitos, a SE 30/2012 apresentou uma redução de 74% no total de óbitos por SRAG e nenhum óbito confirmado para influenza foi registrado nessa semana (Tabela 2).

 

Tabela 2:Número total de óbitos por SRAG registrados da SE 01 a 30, discriminados para as duas últimas semanas, segundo UF e Região de Residência e classificação de SRAG, segundo SE de início dos sintomas. Brasil, dados atualizados até SE 30/2012.

 

A taxa de mortalidade por SRAG é de 0,51/100 mil habitantes, a taxa de mortalidade de SRAG confirmado para influenza é de 0,16/100 mil e de 0,13/100 mil para os casos confirmados de influenza A(H1N1)pdm09 (Tabela 3).

 

Tabela 3: Taxa de mortalidade para SRAG, influenza e pelo vírus pós-pandêmico A(H1N1)pdm09, segundo Região/UF de residência. Brasil, até SE 30/2012 (encerra em 29/07/2012).


Investigação de óbitos no Rio Grande do Sul

 

Em investigação epidemiológica conjunta com a Secretaria de Saúde do Rio Grande do Sul, até 27/07, foi concluída a investigação de 28 dos 48 óbitos selecionados para o trabalho de descrição do perfil epidemiológico.

 

Os dados parciais referentes aos 28 óbitos investigados indicam que 93% (26/28) iniciaram o tratamento (Oseltamivir) com mais de dois dias após o início dos sintomas e 57% (16/28) casos procuraram atendimento por mais de uma vez antes da internação e do início do tratamento. Além disso, 61% (17/28) casos apresentavam pelo menos uma comorbidade.

 

PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DA SINDROME GRIPAL

 

Até a SE 30/2012, foram coletadas 5.242 amostras de casos de SG. Desses casos 16,1% (842/5.242) teve resultado positivo para influenza ou outros vírus respiratórios. Observou-se aumento da circulação do vírus influenza A, principalmente nas últimas semanas, em comparação com mesmo período de 2011 e 2010 (Figura 3).

 

Figura 3: Monitoramento dos vírus respiratórios identificados nas unidades sentinelas de Síndrome Gripal, por semana epidemiológica de início dos sintomas. Brasil, 2012 (até a SE 30/2012).

 

Fonte: SIVEP Gripe/SVS/MS. Dados atualizados em 27/07/2012.

 

A faixa etária com o maior número de amostras positivas foi de crianças até quatro anos. Nesse grupo de idade foram coletadas 2.041 amostras, das quais 441 (21,6%) foram positivas para influenza ou outros vírus respiratórios. O VRS apresentou maior percentual de positividade, nessa faixa etária, com 66,4% (293/441) das amostras positivas.

 

Entre os indivíduos das demais faixas etárias foi observada maior positividade para o vírus influenza A: 43,4% dos casos entre 5 e 14 anos; 51,0% dos casos entre 15 e 24 anos; 41,5% dos casos entre 25 e 59 anos; e, 35,1% dos casos de 60 anos ou mais (Figura 4).

 

Figura 4: Distribuição dos vírus respiratórios identificados nas unidades sentinelas de SG por faixa etária. Brasil, 2012 (até a SE 30/2012).

 

Fonte: SIVEP Gripe/SVS/MS. Dados atualizados em 27/07/2012, sujeitos à revisão. 

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