Data de Cadastro: 24/11/2011 as 13:29:56 alterado em 21/12/2011 as 13:38:44
ATENÇÃO À SAÚDE
O Ministério fechará 2011 com investimento de R$ 2,2 bilhões para a área de atenção oncológica e um aumento de 41% no número de procedimentos em relação a 2003
O Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA), do Ministério da Saúde, divulgou nesta quinta-feira (24) a publicação Estimativa 2012 – Incidência de Câncer no Brasil. O estudo, que serve para orientar as políticas públicas para o setor, aponta uma estimativa de 520 mil casos novos da doença para o próximo ano. Sete novas localizações de câncer entraram no ranking dos tumores mais frequentes do país.
As estimativas destacam os tipos mais incidentes nas regiões brasileiras, caso do câncer de pele não melanoma, próstata, mama e pulmão.
“A divulgação das estimativas disponibiliza aos gestores de saúde e, especificamente, aos da atenção oncológica, informações fundamentais para o planejamento das políticas públicas de forma regionalizada”, diz o diretor-geral do INCA, Luiz Antonio Santini.
Desconsiderando o câncer de pele não melanoma - tumor com baixa letalidade -; entre o sexo masculino o câncer de próstata permanecerá como o mais comum, seguido pelo de pulmão, cólon e reto, estômago, cavidade oral, laringe e bexiga. Já nas mulheres, a glândula tireoide, de modo inédito, aparece no quinto lugar geral, atrás do câncer de pele não melanoma, mama, colo do útero, cólon e reto. Na seqüência, vêm os tumores de pulmão, estômago e ovário.
“A melhoria na qualidade dos exames de investigação em casos suspeitos, contribui para a exatidão do diagnóstico do câncer da tireoide. Isso se reflete no aumento do número de casos desse tipo de tumor.”, diz a responsável pelo serviço de endocrinologia do INCA, Rossana Corbo.
A novidade dessa edição é que foram incluídas sete novas localizações de tumores no estudo: bexiga, ovário, tireoide (nas mulheres), Sistema Nervoso Central, corpo do útero, laringe (nos homens) e linfoma não Hodgkin – os dois últimos muito noticiados recentemente por terem acometido, respectivamente, o ex-presidente Lula, o ator Reynaldo Gianecchini e a presidente Dilma Rousseff.
Os especialistas consideram as estimativas a principal ferramenta de planejamento e gestão da saúde pública na área oncológica no Brasil. Isso porque fornecem as informações necessárias para a elaboração das políticas públicas de saúde voltadas para o atendimento da população.
INVESTIMENTO -O Ministério da Saúde vai fechar o ano de 2011 com investimento de R$ 2,2 bilhões para a área de atenção oncológica. Este aumento de recursos serviu para ampliar e melhorar a assistência aos pacientes atendidos nos hospitais públicos e privados que compõe o SUS, sobretudo para os tipos de câncer como fígado, mama, linfoma e leucemia aguda. Vale destacar que só para esse ano o orçamento do MS destinou cerca de R$ 261 milhões a ações de prevenção ao câncer de mama (R$ 176 milhões) e de colo de útero (R$ 85 milhões). Dos últimos 12 anos pra cá, os gastos federais com a assistência oncológica no país quadruplicou, passando de R$ 470, 5 milhões (em 1999) para R$2,2 bilhão.
Também foi a primeira vez que um presidente assumiu a atenção oncológica como prioridade de governo. A quantidade de procedimentos oncológicos oferecidos aos pacientes do SUS aumentou em 41%; foram 19,7 milhões, no ano de 2003 e a projeção para até o fim do ano é de 27,8 milhões de procedimentos.
Na área da pesquisa, o ano passado foi marcado pelo Lançamento da Rede Nacional de Pesquisa Clínica em Câncer (RNPCC), que visa conduzir estudos nacionais em oncologia. Além disso, esse ano, o país contou com o lançamento dos projetos da Unidade de Estudos de Fase I, do INCA e da Rede Nacional de Desenvolvimento de Fármacos Anticâncer (REDEFAC).
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Estimativa de casos novos, segundo sexo, Brasil 2012

Agência Saúde– Ascom/Inca
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Entre os homens, o câncer de próstata lidera o ranking dos mais incidentes em todas as regiões do país, sem contar os tumores de pele não melanoma. Os demais tipos se alternam na classificação de acordo com a região.
Esse tipo de câncer é o mais comum de todas as neoplasias malignas e apresenta um aumento de 2% ao ano na incidência mundial. De acordo com o INCA, cerca de 90% dos casos de câncer de pulmão estão associados ao tabagismo. Isso quer dizer que cerca de 24 mil casos novos poderiam ser evitados, caso as pessoas não fumassem.
É o segundo mais frequente nas regiões Sul (37 casos para cada 100 mil habitantes) e Centro-Oeste (17 casos para cada 100 mil habitantes). Já nas regiões Sudeste (20 casos para cada 100 mil habitantes), Nordeste (8 casos por 100 mil habitantes) e Norte (8 casos por 100 mil habitantes), ocupa a terceira posição.
De acordo com a Comissão Nacional para Implementação da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (Conicq), o Brasil é o segundo produtor mundial de fumo em folha, ficando atrás somente da China. A Região Sul se destaca por concentrar a maior parte da produção de fumo do país.
“O Sul do Brasil concentra a maior parte de produtores de fumo. O fato pode estar diretamente relacionado ao alto consumo de derivados do tabaco, fazendo com a região sofra com os altos índices de incidência de câncer de pulmão”, diz o pneumologista da Divisão de Controle de Tabagismo do INCA, Ricardo Meirelles.
Ocupa o segundo lugar na região Sudeste (22 casos por 100 mil habitantes) e a terceira posição nas regiões Sul (18 casos por 100 mil habitantes) e Centro-Oeste (14 casos por 100 mil habitantes). Na região Norte (4 casos por 100 mil habitantes), esse tipo de tumor ocupa a quarta posição e, na região Nordeste (5 casos por 100 mil habitantes), fica em quinto lugar.
Para esses tipos de câncer, os fatores de risco estão diretamente ligados ao envelhecimento, histórico da doença em parentes próximos, controle do peso e alimentação inadequada.
“Uma alimentação balanceada, com baixo teor calórico, rica em frutas, fibras e legumes, associada a hábitos saudáveis como a prática de atividade física, por exemplo, pode reduzir 37% desse tipo de tumor”, diz o nutricionista do INCA, Fábio Gomes.
O especialista completa dizendo que a ingestão excessiva e prolongada de bebidas alcoólicas também pode ser um fator de risco para esse tipo de tumor.
É o segundo tumor mais frequente nas regiões Norte (11 casos/100 mil hab) e Nordeste (9 casos/100 mil hab). Conforme a publicação, está em quarto lugar nas regiões Sul (16 casos/100 mil hab), Sudeste (15 casos/100 mil hab) e Centro-Oeste (14 casos/100 mil hab mil).
O maior fator de risco para o desenvolvimento do câncer de estômago é a infecção pela bactéria H.pylori. Tendo em vista, que é uma das infecções mais comuns no mundo, pode ser responsável por 63% dos casos de câncer gástrico. Outro fator que contribui para o surgimento desse tipo de câncer é uma alimentação pobre em vitamina A e C, ou com alto consumo de alimentos enlatados, defumados, com corantes e conservados em sal.
Ocupa o quarto lugar na região Nordeste (6 casos/100 mil hab) e, nas regiões Sudeste (15 casos/100 mil hab) e Centro-Oeste (9 casos/100 mil hab), está na quinta posição, enquanto, nas regiões Sul (12 casos/100 mil hab) e Norte (3 casos/100 mil hab), é o sexto mais frequente.
Os principais fatores de risco para o câncer da cavidade são o fumo, o etilismo e infecções bucais por HPV. Sozinho, o tabagismo é responsável por cerca de 42% dos óbitos por essa neoplasia. Já o alcoolismo intenso é responsável por 16% das mortes causadas por esse tipo de câncer.
“ Estudos apontam para uma relação de sinergia entre o tabagismo e o alcoolismo. Juntos os dois atos aumentam em 30 vezes o risco para o desenvolvimento do câncer da cavidade oral”, diz o coordenador da seção de cabeça e pescoço do INCA, Fernando Luiz Dias.
Esse tipo de câncer ocupa o quinto lugar na região Sul (15 casos/100 mil hab). Já nas regiões Sudeste (10 casos/100 mil hab) e Centro-Oeste (7casos/100 mil hab), ocupa a sexta posição. Nas regiões Nordeste (4 casos/100 mil hab) e Norte (2 casos/100 mil hab), está na sétima e nona posições, respectivamente.
O câncer de esôfago, em termos de incidência, é de três a quatro vezes mais comum nos homens e, por se tratar de um câncer de prognóstico ruim e de alta letalidade, as taxas de mortalidade se aproximam muito de incidência. Os fatores de risco estão diretamente relacionados à história de caso na família, ingestão em demasia de álcool e por agentes infecciosos, causados por fungos e vírus. No caso da região Sul, especificamente, o consumo da erva-mate é considerado fator de risco para a doença, já que a ingestão é feita em temperaturas elevadas, por conta do clima da região, além de ser um hábito enraizado naquela cultura.
Em relação às mulheres, o câncer de mama é o mais incidente. Excluindo os tumores de pele não melanoma, apresenta variação na classificação nas demais regiões.
É tipo mais frequente nas regiões Sudeste (69 casos/100 mil hab), Sul (65 casos/100 mil hab), Centro-Oeste (48 casos/100 mil hab) e Nordeste (32 casos/100 mil hab). Na região Norte é o segundo mais incidente (19 casos/100 mil hab).
Em todo o mundo, o câncer de mama é o que mais acomete as mulheres. A incidência afeta tanto a países desenvolvidos e em desenvolvimento. A idade é o principal fator de risco e, as taxas aumentam de forma acelerada,após os 50 anos de idade. Ao contrário do câncer de colo de útero, a ocorrência de casos de câncer de mama se encontra relacionada ao processo de urbanização da sociedade, evidenciando maior risco de adoecimento nas mulheres com elevado nível socioeconômico.
No Brasil, o exame clínico das mamas,feito por profissional da saúde, nas mulheres a partir dos 40 anos e o diagnóstico, por meio da mamografia, a cada dois anos, dos 50 a 69 anos de idade, são as estratégias do Ministério da Saúde e do INCA para detecção e o diagnóstico precoce da doença.
“Nos casos em que a mulher tem histórico da doença na família, é recomendado que o exame clínico e a mamografia, anualmente, a partir dos 35 anos”, diz coordenadora da divisão de atenção oncológica do INCA, Ana Ramalho.
Está em primeiro lugar na região Norte (24 casos/100 mil hab). Nas regiões Centro-Oeste (28 casos/100 mil hab) e Nordeste (18 casos/100 mil hab) ocupa a segunda posição geral; na região Sudeste (15 casos /100 mil hab), a terceira, e na região Sul (14 casos /100 mil hab), a quarta posição.
As ações de prevenção desse tipo de câncer na Região Norte do país foram muito enfatizadas em 2011, justamente por lá se concentrar a maior incidência da doença. Com exceção do câncer de pele não melanoma, esse tumor é o que apresenta maior percentual de prevenção e cura, quando diagnosticado precocemente. No Brasil, a estratégia de rastreamento preconizada pelo MS é que as mulheres, dos 25 aos 64 anos, façam o exame preventivo (Papanicolaou) anualmente. Se, no intervalo de dois exames seguidos, o resultado for normal, o preventivo pode passar a ser feito a cada três anos.
Segundo mais frequente nas regiões Sudeste (23 casos/100 mil hab) e Sul (20 casos/100 mil hab), o terceiro nas regiões Centro-Oeste (15 casos/100 mil hab) e Nordeste (7 casos/100 mil hab), e o sexto na região Norte (5 casos/100 mil hab).
É o terceiro mais frequente na região Sul (19 casos/100 mil hab), o quarto na região Centro-Oeste (9 casos/100 mil hab) e o quinto nas regiões Sudeste (11 casos/100 mil hab), Nordeste (6 casos/100 mil hab) e Norte (5 casos/100 mil hab).
Ocupa a quarta posição na região Norte (6 casos/100 mil hab), a quinta na região Centro-Oeste (7 casos/100 mil hab) e a sexta nas regiões Sudeste (9 casos/100 mil hab), Sul (8 casos/100 mil hab) e Nordeste (6 casos/100 mil hab).
É o oitavo mais frequente na região Nordeste (3 casos/100 mil hab). Nas regiões Sudeste (6 casos/100 mil hab) e Norte (2 casos/100 mil hab), ocupa a nona posição, enquanto, nas regiões Centro-Oeste (3 casos/100 mil hab) e Sul (3 casos/100 mil hab), é, respectivamente, o 12º e o 15º mais incidente.
Os números de casos novos para cada tipo de câncer apresentado na publicação foram calculados com base nas taxas de mortalidade dos estados e capitais brasileiras (Sistema de Informação Sobre Mortalidade - SIM). A Organização Mundial da Saúde (OMS) fez uma projeção de 27 milhões de novos casos de câncer para o ano de 2030 em todo o mundo, e 17 milhões de mortes pela doença. Os países em desenvolvimento serão os mais afetados, entre eles o Brasil.
Válidas também para o ano de 2013, já que são elaboradas a cada dois anos, as estimativas não podem ser comparadas com anos anteriores, uma vez que não tem como referência a mesma metodologia nem as mesmas bases de dados, tendo em vista que houve melhorias tanto na quantidade, quanto na qualidade das séries históricas de incidência e mortalidade.
A publicação Estimativa 2012 – Incidência de Câncer no Brasil está disponível no site do INCA www.inca.gov.br