Script de estatística do portal - depende da habilitação de javascript.

Ministério da Saude SUS Governo Federal

O Ministério da Saúde é o órgão do Poder Executivo Federal responsável pela organização e elaboração de planos e políticas públicas voltados para a promoção, prevenção e assistência à saúde dos brasileiros.

Bloco G - Esplanada dos Ministérios, Brasília - DF 70058-900 Telefone:(61) 3315-2425 | Disque 136 Ouvidoria Geral do SUS Horas: quinta-feira 08:00 – 18:00

Portal da Saúde

 1         Doação

 

a)      O que é Doação de Órgãos?

A doação de órgãos ou de tecidos é um ato pelo qual manifestamos a vontade de doar uma ou mais partes do nosso corpo para ajudar no tratamento de outras pessoas.

A doação pode ser de órgãos (rim, fígado, coração, pâncreas e pulmão) ou de tecidos (córnea, pele, ossos, válvulas cardíacas, cartilagem, medula óssea e sangue de cordão umbilical). A doação de órgãos como o rim, parte do fígado e da medula óssea pode ser feita em vida.

A doação de órgãos de pessoas falecidas somente acontecerá após a confirmação do diagnóstico de morte encefálica. Geralmente, são pessoas que sofreram um acidente que provocou traumatismo craniano (acidente com carro, moto, quedas etc.) ou sofreram acidente vascular cerebral (derrame) e evoluíram para morte encefálica.

b)      Por que doar?

Doar órgãos é um ato de amor e solidariedade. O transplante pode salvar vidas, no caso de órgãos vitais como o coração, ou devolver a qualidade de vida, quando o órgão transplantado não é vital, como os rins. Além disso, estrutura a saúde física e psicológica de toda a família envolvida com o paciente transplantado.

c)      O que é um Doador Vivo e o que ele pode doar?

Um doador vivo é qualquer pessoa juridicamente capaz, atendidos os preceitos legais quanto à doação intervivos, que tenha sido submetido à rigorosa investigação clínica, laboratorial e de imagem, e esteja em condições satisfatórias de saúde, possibilitando que a doação seja realizada dentro de um limite de risco aceitável.

Pela lei, parentes até o quarto grau e cônjuges podem ser doadores em vida. Não parentes, somente com autorização judicial.

O doador vivo pode doar um dos rins, parte do fígado, parte do pulmão ou parte da medula óssea.

d)      O que é um Doador Falecido e o que ele pode doar?

Existem dois tipos de doadores falecidos:

  • Doador Falecido após Morte Cerebral:

Paciente cuja morte cerebral foi constatada segundo critérios definidos pela legislação do país e que não tenha sofrido parada cardiorrespiratória.

O doador falecido nesta condição pode doar coração, pulmões, fígado, pâncreas, intestino, rins, córnea, vasos, pele, ossos e tendões. Portanto, um único doador pode salvar inúmeras vidas. A retirada dos órgãos é realizada em centro cirúrgico, como qualquer outra cirurgia.

  • Doador com Parada Cardiorrespiratória:

Doador cuja morte foi constatada por critérios cardiorrespiratórios (coração parado).

O doador nesta condição pode doar apenas tecidos para transplante (córnea, vasos, pele, ossos e tendões).

e)      Quem não pode ser um doador?

Não existe restrição absoluta à doação de órgãos, mas a doação pressupõe alguns critérios mínimos como causa da morte, doenças infecciosas ativas, dentre outros. Também não poderão ser doadoras as pessoas que não possuem documentação, ou menores de 18 anos sem a autorização dos responsáveis.

f)       Quero ser doador. A minha religião permite?

Todas as religiões deixam a critério dos seus seguidores a decisão de serem ou não doadores.

Têm em comum os princípios da solidariedade e do amor ao próximo que caracterizam o ato de doar. Elas deixam a critério dos seus seguidores a decisão de serem ou não doadores.

g)      E se a pessoa morrer em casa e a família desejar doar os órgãos/tecidos?

Neste caso, apenas as córneas poderão ser doadas. A retirada de outros tecidos, como pele e tecido ósseo, requer um ambiente apropriado, como um hospital. A doação só será possível se for realizada em até seis horas após a parada circulatória (parada cardiorrespiratória).

A declaração de óbito deve ser providenciada e imediatamente comunicada a intenção de doar à Central Estadual de Transplantes. A Central acionará um Banco de Tecidos Oculares, cujo profissional fará todos os procedimentos necessários à retirada da córnea, inclusive a reconstituição do corpo.

Caso a morte tenha decorrido de causa não natural, o corpo deverá ir para o IML para ser submetido à necropsia.

h)      Por que existem poucos doadores?

Um dos principais fatores que limita a doação de órgãos é a baixa taxa de autorização da família do doador. Atualmente, aproximadamente metade das famílias entrevistadas não concorda que sejam retirados os órgãos e tecidos do ente falecido para doação.

Em 2014 mais de 27 mil pacientes estavam em lista por um transplante de órgão e quase 11 mil aguardando por um transplante de córnea. No ano morreram, em hospitais do país, mais de 36 mil pessoas com traumatismo craniano ou AVC, sendo que em muitos desses casos a pessoa poderia ter sido um potencial doador.

i)        Existe limite de idade para ser doador?

O que determina se o órgão é viável para transplante é o estado de saúde do doador; no entanto, alguns profissionais podem restringir alguns limites de idade em situações especificas.

j)        Existe algum conflito de interesse entre os atos de salvar a vida de um paciente e o da retirada dos órgãos para transplante?

Absolutamente não. A retirada dos órgãos para transplante somente é considerada quando todos os esforços para salvar a vida de uma pessoa tenham sido realizados e, ainda assim, o paciente evoluiu para morte encefálica.

k)     Para quem vão os órgãos doados?

Os órgãos doados vãos para pacientes que necessitam de um transplante e já estão aguardando em uma lista de espera única. A compatibilidade entre doador e receptores é determinada por exames laboratoriais e a posição em lista é determinada com base em critérios como tempo de espera e urgência do procedimento.

l)        O que é o Sistema de Lista Única?

O Sistema de Lista Única é constituído pelo conjunto de potenciais receptores brasileiros, natos ou naturalizados, ou estrangeiros residentes no país inscritos para o recebimento de cada tipo de órgão, tecido, célula ou parte do corpo. É regulado por um conjunto de critérios específicos para a distribuição destas partes aos potenciais receptores, assim constituindo o Cadastro Técnico Único (CTU).

m)    Como se identifica um possível doador?

As Organizações de Procura de Órgãos (OPO) atuam em parceria com as Comissões Intra-hospitalares de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT), junto aos hospitais com perfil de notificante de determinada região geográfica, identificando potenciais doadores e viabilizando o processo de doação. As OPO e CIHDOTT são vinculadas à Central Estadual de Transplante.

n)      O que acontece depois de autorizada a doação?

  • O hospital notifica a Central de Transplantes sobre um individuo em morte encefálica (potencial doador) ou com parada cardiorrespiratória.;
  • A Central de Transplantes pede confirmação do diagnóstico de morte encefálica e inicia os testes de compatibilidade entre o potencial doador e os potenciais receptores em lista de espera. Quando existe mais de um receptor compatível, a decisão de quem receberá o órgão passa por critérios tais como tempo de espera e urgência do procedimento;
  • A Central de Transplantes emite uma lista de potenciais receptores para cada órgão e comunica aos hospitais (equipes de transplantes) onde eles são atendidos;
  • As equipes de transplante, junto com a Central de Transplante, adotam as medidas necessárias para viabilizar a retirada dos órgãos (meio de transporte, cirurgiões, pessoal de apoio, etc.);
  • Os órgãos são retirados e o transplante é realizado.

No caso de morte por parada cardiorrespiratória, após avaliação do doador por critérios definidos, os tecidos são retirados e encaminhados para bancos de tecidos.

o)      Quem retira os órgãos de um doador?

Após a confirmação da morte encefálica, autorização da família e localização de um receptor compatível, a retirada dos órgãos para transplante é realizada em um centro cirúrgico, por uma equipe de cirurgiões autorizada pelo Ministério da Saúde e com treinamento específico para esse tipo de procedimento. Depois disso, o corpo é devidamente recomposto e liberado para os familiares.

p)      Quem retira os tecidos de um doador?

Após a avaliação do doador e autorização da família, a retirada de tecidos é realizada por uma equipe capacitada para tal de um banco de tecidos, ou vinculadas a este.

q)      Após a doação, o corpo do doador fica deformado?

Não. A retirada dos órgãos é uma cirurgia como qualquer outra e o doador poderá ser velado normalmente.

r)       Como é a recomposição do corpo do doador?

Para doação de tecidos oculares o profissional coloca uma prótese ou outro material como gaze no lugar do globo ocular, e para fechamento das pálpebras pode ser usada uma cola apropriada ou pontos internos (não parentes), de forma que o doador permaneça com o mesmo aspecto, não aparecendo qualquer deformidade;

Para doação de tecidos musculoesqueléticos retiram-se principalmente ossos do braço (úmero) e da coxa (fêmur), além de cartilagens e tendões. Em seguida, a equipe de retirada reconstitui o corpo do doador com próteses apropriadas, refazendo as juntas do joelho, quadril, ombro e cotovelo;

Para doação de pele é retirada somente uma fina porção da pele do dorso das costas e das coxas, sem alterações na aparência do doador falecido;

Após a retirada dos órgãos e tecidos, a equipe médica recompõe o corpo do doador, sendo visíveis apenas os pontos do local operado, não impedindo a realização do velório.

s)      Podemos escolher o receptor?

Na doação em vida, sim, desde que atendida à legislação vigente. Para a doação após a morte, nem o doador, nem a família podem escolher o receptor. Este será sempre o próximo da lista única de espera de cada órgão ou tecido, dentro da área de abrangência da Central de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos e Tecidos (CNCDO) do seu local.

t)       Como sei se um familiar ou amigo pode doar para mim?

Se você precisa de um rim, medula óssea, parte do fígado ou parte de um pulmão, um familiar de até quarto grau pode ser doador. Para qualquer outra pessoa é necessária autorização judicial. Antes da doação, no entanto, eles devem ser submetidos a uma bateria de exames de compatibilidade, sempre sob a orientação de médicos, para determinar esta possibilidade.

u)      Uma pessoa é doadora e vem a falecer. Se quando chegar ao hospital não encontram seus documentos, nem os seus familiares, seus órgãos podem ser retirados para transplantes?

Não. Pessoas sem identidade, indigentes e menores de 18 anos sem autorização dos responsáveis não podem ser doadoras.

v)      Quando uma pessoa entra em coma, torna-se um potencial doador?

Não. O coma é um processo reversível. Morte encefálica, como o próprio nome afirma, é irreversível. Uma pessoa somente torna-se potencial doador após o diagnóstico de morte encefálica e a autorização da doação dos órgãos pela família.

w)     Qual é o custo da doação para os familiares do doador?

Nenhum. A família do doador não paga nada e tampouco recebe qualquer pagamento pela doação.  A doação é um ato humanitário, que pode beneficiar qualquer pessoa, sem distinção de sexo, credo, raça, etc.

 

2         Morte Encefálica

 

a)      O que é morte encefálica?

Morte encefálica é a parada definitiva e irreversível do encéfalo, provocando em poucos minutos a falência de todo o organismo.

O encéfalo inclui o cérebro e o tronco cerebral. É responsável pelas funções essenciais do organismo como o controle da pressão, da temperatura e da respiração, entre outras. Após algumas agressões neurológicas, as células do cérebro podem morrer e deixar de cumprir essas funções, apresentando um quadro que é irreversível. O coração continua batendo sozinho por causa do seu marca-passo interno (que é temporário). Aparelhos e remédios podem manter a respiração e a pressão, mas por um espaço curto de tempo.

Quando é constatada a morte encefálica, significa que a pessoa está morta e que, nesta situação, os órgãos podem ser doados para transplante, se a família consentir. Se não houver o consentimento os aparelhos serão desligados, já que o indivíduo está clínica e legalmente morto.

b)      Posso ter certeza do diagnóstico de morte encefálica?

Sim. O diagnóstico é realizado por meio de exames específicos e pela avaliação de dois médicos diferentes, com intervalo mínimo de 6 horas entre as duas avaliações. Além disso, é obrigatória a confirmação do diagnóstico por, pelo menos, um dos seguintes exames: angiografia cerebral, cintilografia cerebral, ultrassom com doppler transcraniano ou eletroencefalograma.

O diagnóstico de morte encefálica é regulamentado pelo Conselho Federal de Medicina, conforme definido pela Lei nº 9434 de 1997.

c)      É possível o diagnóstico de morte encefálica apenas com um exame clínico?

Sim. O diagnóstico é clínico, mas, pela legislação brasileira, ele deve ser confirmado com outro método de análise: eletroencefalograma, angiografia cerebral, entre outros. Em alguns países essa exigência não existe.

d)      A morte encefálica pode ser diagnosticada em qualquer hospital?

Em princípio sim, porque o diagnóstico básico é clínico e deve ser feito por um neurologista. Contudo, alguns hospitais não têm condições de complementar o diagnóstico com exames específicos, como a lei exige. Entretanto, desde que haja necessidade, uma equipe médica e equipamentos podem ser deslocados de um hospital para outro.

e)      Como o corpo é mantido após a morte encefálica?

Para a manutenção hemodinâmica do corpo após a morte encefálica, o coração é induzido a funcionar à custa de medicamentos, o pulmão funciona com a ajuda de aparelhos e o corpo continua sendo alimentado por via endovenosa.

f)       Morte encefálica é o mesmo de coma?

Não. A morte do encéfalo não é a mesma coisa que o coma. No coma, o paciente está desacordado e vivo, tendo o comando das funções básicas de manutenção da vida, podendo ser reversível. A morte encefálica é quando o cérebro para de funcionar, isto é, o sangue deixa de circular não levando mais oxigênio para às suas células - e a perda irreversível das funções cerebrais. Neste momento, o óbito é caracterizado. Existem exames neurológicos que facilmente diferenciam o coma do estado de morte encefálica.

g)      Uma pessoa em coma também pode ser doadora?

Não. Coma é um estado que pode ser reversível; morte encefálica, como o próprio nome sugere, não. Uma pessoa somente se torna um potencial doador após o correto diagnóstico de morte encefálica e a autorização dos familiares.

 

3         Transplante de Órgãos

 

a)      O que é um transplante?

Transplante é a transferência de células, tecidos, órgãos, ou de partes do corpo de uma pessoa (doador) para outra (receptor), com a finalidade de restabelecer uma função do corpo do receptor.

b)      Quais os benefícios de um transplante?

O transplante pode trazer enormes benefícios às pessoas afetadas por doenças que, de outro modo, seriam incuráveis. Milhares de pessoas contraem, todos os anos, doenças cujo único tratamento é um transplante.

O maior benefício que se espera de um transplante é que a expectativa de vida seja melhor do que a doença que motivou o procedimento, mesmo sendo cuidada com todas as opções de tratamento disponíveis. Muitos transplantados passam a não ter limitações físicas em suas atividades do cotidiano.

c)      Qual a chance de sucesso de um transplante?

O sucesso depende de inúmeros fatores como o tipo de órgão a ser transplantado, a causa da doença, as condições de saúde do paciente, adesão aos medicamentos imunossupressores entre outras.

Com os recursos atuais, de novos medicamentos e de técnicas aprimoradas, a sobrevida dos transplantados tem sido cada vez maior. A título de exemplo, os valores médios aproximados de sobrevida do enxerto e do paciente, depois de cinco anos, para alguns órgãos, são listados a seguir:

  • Coração: 70% (Depois de um ano – enxerto e paciente)
  • Fígado: 60% para o enxerto e 65% para o paciente
  • Pulmão: 60% (enxerto e paciente)
  • Rim: 70% para o enxerto e 80% para o paciente

d)      Quais os riscos de um transplante de órgãos?

Além dos riscos inerentes a uma cirurgia de grande porte, podem ocorrer: infecções (como consequência do uso de imunossupressores); rejeição do órgão transplantado, que pode ser hiperaguda (situação muito grave, podendo levar a necessidade da realização de um novo transplante) ou tardia (mais fácil de ser tratada com medicamentos que diminuem a atividade do sistema imunológico); efeitos colaterais das drogas imunossupressoras, como hipertensão arterial, linfomas, tumores de pele  e toxicidade do sistema nervoso, entre outros.

e)      Como é a vida do paciente após o transplante?

Transplante não é cura, mas um tratamento que pode prolongar a vida com uma melhor qualidade.

Muito embora a compatibilidade entre doador e receptor seja testada antes de um transplante, depois do transplante as consultas periódicas de acompanhamento são obrigatórias. A prescrição de medicamentos imunossupressores é obrigatória e de forma permanente. Em casos de rejeição, poderá ser oferecido um novo transplante ao paciente.

f)       Como se inicia o processo de transplante?

O processo normal para um transplante é iniciado por um médico, que consulta o paciente e lhe indica o diagnóstico e a terapia mais adequada; que poderá até ser um transplante.

O doente terá sempre o direito de escolha entre fazer ou não o transplante, depois de devidamente informado pelo médico.

g)      Que partes do corpo podem ser transplantadas?

Os órgãos mais comumente transplantados são: coração, fígado, pâncreas, dois pulmões e dois rins.

Podem ser transplantados também: córneas, valvas cardíacas, vasos sanguíneos, segmentos de ossos, ossos longos e particulados, cartilagens, tendão, fascia lata, pele, estômago e intestino.

Parte do fígado, parte do pulmão, ou um rim podem ser transplantados de doador vivo, desde que este seja parente do receptor em até quarto grau, ou com autorização judicial.

h)      Quem retira os órgãos de um doador?

Após a confirmação da morte encefálica, autorização da família e localização de um receptor compatível, a retirada dos órgãos para transplante é realizada em um centro cirúrgico, por uma equipe de cirurgiões credenciada pelo Ministério da Saúde e com treinamento específico para esse tipo de procedimento. Depois disso, o corpo é devidamente recomposto e liberado para os familiares.

i)        Após a doação, o corpo do doador fica deformado?

Não. A retirada dos órgãos é uma cirurgia como qualquer outra e o doador poderá ser velado normalmente.

j)        Após a retirada do órgão do doador, em quanto tempo ele deve ser transplantado?

O prazo entre a retirada do órgão do doador e o seu implante no receptor é chamado de tempo de isquemia. Os tempos máximos de isquemia normalmente aceitos para o transplante de diversos órgãos são mostrados a seguir:

  • Coração: 4 horas
  • Fígado: 12 horas
  • Pâncreas: 20 horas
  • Pulmão: 6 horas
  • Rim: 48 horas

k)     Como funciona o sistema de captação de órgãos?

Se existe um doador em potencial, com morte encefálica confirmada (vítima de acidente com traumatismo craniano, derrame cerebral, etc.) e após autorização da família para que ocorra a retirada dos órgãos, são mantidos os recursos para a preservação das funções vitais dos órgãos e seguem as seguintes ações:

  • O hospital notifica a Central de Transplantes sobre um paciente com morte encefálica (potencial doador);
  • A Central de Transplantes pede confirmação do diagnóstico de morte encefálica e inicia os testes de compatibilidade entre o potencial doador e os potenciais receptores em lista de espera. Quando existe mais de um receptor compatível, a decisão de quem receberá o órgão passa por critérios tais como tempo de espera e urgência do procedimento;
  • A Central de Transplantes, através de um sistema informatizado, gera uma lista de potenciais receptores para cada órgão e comunica aos hospitais (equipes de transplantes) onde eles são atendidos;
  • As equipes de transplante, junto com a Central de Transplante, adotam as medidas necessárias para viabilizar a retirada dos órgãos (meio de transporte, cirurgiões, pessoal de apoio, etc.);
  • Os órgãos são retirados e o transplante é realizado.

l)        Existe algum conflito de interesse entre os atos de salvar a vida de um potencial doador e o da retirada dos órgãos para transplante?

Absolutamente não. A retirada dos órgãos para transplante somente é considerada quando todos os esforços para salvar a vida de uma pessoa tenham sido realizados e, ainda assim, o paciente evoluiu para morte encefálica.

m)    Como funciona a lista de espera para transplantes de órgãos?

Para receber um órgão, o potencial receptor deve estar inscrito em uma lista de espera, respeitando-se a ordem de inscrição. A lista é única por estado ou por região e monitorada pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT) e por órgãos de controle federais, impossibilitando que uma pessoa conste em mais de uma lista, ou que a ordem legal não seja obedecida.

A inscrição na lista somente pode ser realizada por um médico com autorização vigente, concedida pelo SNT.

n)      Existem casos que possam ser priorizados na lista de espera?

Sim. Algumas condições clínicas do paciente permitem o acesso mais rápido ao transplante, como as situações de extrema gravidade. Exemplos destas situações emergenciais é a impossibilidade total de acesso para diálise, no caso de doentes renais; a insuficiência hepática aguda grave, para doentes do fígado; necessidade de assistência circulatória, para pacientes cardiopatas; e rejeições recentes de transplantados.

o)      Quanto tempo demora a espera por um transplante de órgão?

O tempo de espera por um transplante depende de diversos fatores, como do órgão a ser transplantado, das características genéticas do potencial receptor e do seu estado de saúde.

Os tempos médios de espera, não priorizados, estão listados a seguir, para os pacientes transplantados em 2014:

  • Coração: 6 meses
  • Fígado: 4 meses
  • Pâncreas: 4 meses
  • Pulmão: 10 meses
  • Rim: 18 meses
  • Rim/Pâncreas: 13 meses

p)      Quantas pessoas aguardam por transplantes de órgãos no Brasil?

A lista de espera total de potenciais receptores (ativos + semiativos), no final do ano de 2014, para cada órgão, é mostrada a seguir:

  • Coração: 338
  • Fígado: 2.024
  • Pâncreas: 68
  • Pulmão: 225
  • Rim: 24.297
  • Rim/Pâncreas: 664

Consulte a situação do seu estado, acessando “Lista de espera por categoria - Órgão” no sítio dos transplantes.

q)      Quantos transplantes são realizados por ano?

Em 2014 foram realizados, no Brasil, 23.226 transplantes, sendo 7.694 de órgãos sólidos, conforme discriminado a seguir:

  • Coração: 309
  • Fígado: 1.769
  • Pâncreas: 42
  • Pulmão: 67
  • Rim: 5.409
  • Rim/Pâncreas: 98

Consulte a quantidade realizada no seu estado, acessando “Estatísticas Gerais do SNT - 2014” no sítio dos transplantes (www.saude.gov.br – Transplantes).

r)       Qual é o custo da doação para os familiares do doador?

Nenhum. A família do doador não paga nada e tampouco recebe qualquer pagamento pela doação.  A doação é um ato humanitário, que pode beneficiar qualquer pessoa, sem distinção de sexo, credo, raça, etc..

s)      Quanto custa um transplante e quem paga?

Aproximadamente 97% das cirurgias de órgãos sólidos são feitas pelo SUS – muitos planos de saúde privados não cobrem este tipo de tratamento. Os valores unitários básicos da tabela do SUS, para cada categoria de transplante, estão listados a seguir:

  • Coração:                      R$ 37.052,69
  • Fígado doador falecido: R$ 68.838,89
  • Fígado doador vivo:       R$ 68.803,27
  • Pâncreas + Rim:           R$ 54.986,45
  • Pâncreas Isolado:         R$ 38.093,98
  • Pulmão Bilateral:          R$ 64.434,67
  • Pulmão Unilateral:        R$ 44.485,10
  • Rim doador falecido:     R$ 27.622,67
  • Rim doador vivo:          R$ 21.238,82

Observações:

  • Valores de referência para junho de 2015;
  • Incluídos os serviços hospitalar e profissional;
  • Eventuais intercorrências e incentivos podem aumentar os valores pagos pelo SUS;
  • Os valores não incluem os procedimentos de captação do órgão, exames pré-operatórios e medicamentos.

t)       É possível que meus órgãos sejam comercializados após a minha morte?

Não. Qualquer manifestação de vender ou comprar órgãos é crime. Nenhum transplante de órgãos é realizado no Brasil sem o conhecimento das Centrais de Transplantes das Secretarias de Estado da Saúde; portanto, esta possibilidade não ocorre. Doação é um ato de livre e espontânea vontade e de amor ao próximo.

O fato de muitas pessoas acreditarem em rumores deste tipo contribui para a diminuição do número de doações, tirando a chance de sobrevivência de vários pacientes que aguardam em lista de espera.

u)      Notícias sobre pessoas que foram sequestradas e tiveram os seus órgãos retirados têm fundamento?

Não. O transplante é uma operação muito delicada e realizada somente em centro cirúrgico e em hospitais especializados.

Os órgãos são distribuídos para estes hospitais pelas Centrais de Transplantes, através do Sistema Informatizado e baseado nas regras estabelecidas na legislação. Portanto, essas notícias são completamente infundadas e prestam total desserviço à população.

 

4         Transplante de Córnea

 

a)      O que é a córnea?

A córnea é uma estrutura transparente localizada na parte anterior do globo ocular, ou seja, na frente do olho. Trata-se de um tecido fino, delicado e transparente que nos permite ou não enxergar com nitidez. Se a córnea se tornar opaca, por enfermidades hereditárias, lesões, infecções, queimaduras por substâncias químicas, enfermidades congênitas ou outras causas, a pessoa pode ter a visão bastante prejudicada.

b)      O que é a esclera?

A esclera é um tecido fibroso externo, que reveste o globo ocular. Também conhecida como “branco do olho”, é recoberta por uma membrana transparente chamada conjuntiva. É uma camada opaca e densa, que tem a função de proteger o olho. Ela também ajuda a manter a forma, o tônus e o volume ocular. Os músculos que controlam os movimentos do olho estão ligados à esclera. O transplante de esclera é utilizado em cirurgias de plástica ocular.

c)      O que é o transplante de córnea?

O transplante de córnea é uma cirurgia que consiste em substituir uma porção da córnea doente, de forma total ou parcial, por uma córnea saudável. Pode ser substituída toda a espessura da córnea (Penetrante) ou apenas uma porção dela (Lamelar).

d)      Quando pode ser necessário um transplante de córnea?

Esse tipo de cirurgia é indicado quando existe a perda da integridade da córnea, a fim de melhorar a visão, ou corrigir defeitos oculares que ponham em risco a anatomia ou a função do olho.

Vários problemas podem afetar a córnea como o ceratocone, úlceras, infecções, traumas, cirurgias intra-oculares, distrofias, degenerações, alergias e outras, podendo levar a uma visão bastante prejudicada.

Na maioria das vezes existem tratamentos específicos que recuperam a córnea; quando isto não é possível pode-se realizar um transplante, que representa a única chance de voltar a enxergar.

e)      Qual a chance de sucesso de um transplante de córnea?

O sucesso da cirurgia dependerá da causa que motivou o transplante. A porcentagem de sucesso é alta nos casos não complicados e de bom prognóstico.

Geralmente os resultados visuais após o transplante de córnea são muito satisfatórios. A visão do paciente depende também da integridade de outras estruturas oculares. Após o transplante, pode levar meses para que a visão atinja o seu melhor potencial; porém, após algumas semanas o paciente já poderá  perceber alguma melhora.

f)       O olho como um todo pode ser transplantado?

Não. Somente alguns tecidos oculares, como a córnea e a esclera. Células-tronco da córnea também podem ser utilizadas para fins terapêuticos. 

g)      Como são utilizados os tecidos oculares doados?

A córnea, a esclera e as células-tronco da córnea podem ser utilizadas com finalidade terapêutica. Os tecidos que por algum motivo não forem usados em cirurgias, o serão em pesquisas aprovadas por uma comissão de ética, ou para fins de ensino.

h)      Existe a possibilidade de transmissão de alguma doença para o paciente que receber um tecido ocular doado?

As córneas doadas passam por um controle rigoroso de qualidade e por um processo de avaliação quanto à sua condição óptica, sendo utilizadas somente córneas que apresentem boa perspectiva para o sucesso do transplante. São também realizados exames sorológicos nos doadores para evitar a transmissão de doenças infecciosas.

Esse controle é feito pelos bancos de tecidos oculares seguindo normas da Anvisa e do Sistema Nacional de Transplantes, e em concordância com recomendações internacionais.

i)        Até quanto tempo, após o óbito, os tecidos oculares podem ser retirados?

O ideal é que os tecidos oculares sejam retirados até seis horas após o falecimento. Porém, vários fatores podem fazer com que este prazo seja maior podendo ser de até 24 horas (neste caso o corpo do doador deverá estar sob refrigeração).

j)        Como funciona a lista de espera por um transplante de córnea?

Para receber uma córnea, o potencial receptor deve estar inscrito em uma lista de espera, respeitando-se a ordem de inscrição. A lista é única por estado ou por região e monitorada pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT) e por órgãos de controle federais, impossibilitando que uma pessoa conste em mais de uma lista, ou que a ordem legal não seja obedecida.

A inscrição na lista somente pode ser realizada por um médico com autorização vigente no SNT.

k)     Existem casos que possam ser priorizados na lista de espera?

Sim. Algumas situações de urgência permitem o acesso mais rápido ao transplante, como crianças pequenas com opacidade bilateral, perfurações oculares, úlcera de córnea sem resposta ao tratamento e falência do tecido em transplantes recentes.

l)        Quanto tempo demora a espera por um transplante de córnea?

Alguns estados estão com a lista de espera por um transplante de córnea zerada; demora apenas o tempo necessário para a realização dos exames necessários. Mas a média geral é inferior a 90 dias. Os casos mais graves, se priorizados, são atendidos em poucos dias.

Normalmente não existem listas de espera para transplantes de esclera.

m)    Quantas pessoas aguardam por um transplante de córnea no Brasil?

No final de 2014 a lista de espera total de potenciais receptores por um transplante de córnea era de menos que 11 mil pessoas. Essa lista tem diminuído a cada ano, sendo que em alguns estados não há mais espera pela cirurgia.

Consulte a situação do seu estado, acessando “Lista de espera por categoria - Córnea” no sítio dos transplantes (www.saude.gov.br – Transplantes).

n)      Quantos transplantes de córnea são realizados por ano?

Em 2014 foram realizados no Brasil 23.226 transplantes, sendo 13.456 de córnea. Consulte a quantidade realizada no seu estado, acessando “Estatísticas Gerais do SNT - 2014” no sítio dos transplantes (www.saude.gov.br – Transplantes).

o)      Quem pode ser doador de tecidos oculares?

Qualquer pessoa que tenha ido a óbito e que a família tenha autorizado a doação. O uso de correção visual (óculos ou lentes de contato), ou a existência de algum distúrbio visual, como miopia, hipermetropia e astigmatismo, entre outros, não são causas impeditivas da doação. São aceitos doadores com idade de 2 a 80 anos.

p)      Como posso manifestar o desejo de ser um doador?

O importante é conversar com os familiares a respeito do seu desejo, pois, por lei, este desejo só poderá ser cumprido se a sua família autorizar a doação.

q)      Mesmo que a pessoa não tenha se manifestado, a família pode autorizar a doação?

Sim. A família é a única responsável por autorizar uma doação após a morte, seja de órgãos, tecidos oculares ou outros tecidos, como o osso ou a pele.

r)       No processo de doação pode ocorrer alguma complicação durante a retirada dos tecidos oculares?

É muito raro acontecer alguma complicação durante a retirada dos tecidos oculares doados. No entanto, certos medicamentos administrados ao doador (em vida) podem provocar intercorrências, como sangramento.

s)      O corpo do doador fica deformado após a retirada dos tecidos oculares?

Não. Os tecidos oculares são retirados com técnicas cirúrgicas que não deixam vestígios e são devidamente reconstituídos com materiais ou gazes. A doação não modifica a aparência do doador.

t)       A família pode autorizar a doação apenas para uma pessoa da família, ou para um amigo?

Não. A distribuição dos tecidos oculares doados segue a ordem definida por um sistema informatizado do Sistema Nacional de Transplantes, que considera a data de inscrição do paciente na lista de espera.

u)      Tem como um familiar do doador conhecer os receptores beneficiados com os tecidos oculares, ou como um receptor obter qualquer informação pessoal do doador?

Todas as informações sobre os doadores e sobre os receptores de tecidos oculares doados são sigilosas, conforme determinado pela legislação pertinente. Nem mesmo o médico que realiza a cirurgia tem acesso à identidade do doador, pois os tecidos são identificados por códigos.

v)      Que cuidados devem ser tomados para que as córneas não sejam danificadas antes de retiradas?

Manter as pálpebras bem fechadas e, sempre que possível, colocar uma compressa úmida sobre os olhos. Com os olhos bem protegidos, também poderá ser utilizada uma compressa de gelo.

w)     Qual é o custo da doação para os familiares do doador?

Nenhum. A família do doador não paga nada e tampouco recebe qualquer pagamento pela doação.  A doação é um ato humanitário, que pode beneficiar qualquer pessoa, sem distinção de sexo, credo, raça, etc..

 

5         Transplante de Medula Óssea

 

a)      O que é medula óssea?

A medula óssea é um tecido esponjoso (tutano) encontrada no interior dos ossos; é rica em células-tronco hematopoiéticas, responsáveis pela formação dos componentes do sangue: as hemácias (glóbulos vermelhos), os leucócitos (glóbulos brancos) e as plaquetas.

b)      O que é o transplante de medula óssea?

É uma modalidade de tratamento no qual a medula óssea doente do paciente é substituída por células-tronco normais, com o objetivo de reconstituir a medula óssea normal. O transplante de medula óssea (TMO) é diferente da maioria dos transplantes; o órgão transplantado não é sólido, como o rim, e sim um tecido. Os transplantes de medula óssea são também chamados de Transplantes de Células-Tronco Hematopoiéticas (TCTH).

Após quimioterapia em altas doses, associada ou não à radioterapia, o paciente (o receptor) recebe a medula óssea doada por meio de uma transfusão, ou seja, as células-tronco provenientes do próprio paciente ou de um doador, são transfundidas para o paciente.

O transplante também pode ser feito a partir de células precursoras de medula óssea, obtidas do sangue de cordão umbilical.

O transplante pode ser:

  • AUTÓLOGO, quando a medula ou as células precursoras de medula óssea provêm do próprio indivíduo transplantado (que, neste caso é, também, o receptor).
  • ALOGÊNICO, quando a medula ou as células provêm de outro indivíduo (chamado de doador).

c)      O que é um transplante autólogo?

É a forma de transplante em que as células precursoras de medula óssea provêm do próprio indivíduo transplantado (que, neste caso é, também, o receptor).

d)      O que é um transplante alogênico?

É o transplante de medula em que as células provêm de outro indivíduo (chamado de doador). Esse indivíduo pode ser um parente ou não.

e)      Quando é necessário o transplante?

Há indicação de transplantes de medula óssea quando existe o diagnóstico de doenças relacionadas com falência medular, como na anemia aplástica severa, mielodisplasias; também em alguns tipos de leucemias, tais como Leucemia Mieloide Aguda, Leucemia Mieloide Crônica, Leucemia Linfoide Aguda. No mieloma múltiplo e nos linfomas, o transplante também pode estar indicado.

f)       Qual a chance de sucesso de um transplante?

O sucesso do transplante depende do tipo específico de doença do paciente e de sua situação quando da realização do transplante, de sua tolerância aos efeitos próprios do tratamento e suas complicações em relação ao transplante de medula óssea; por fim, da resposta da doença aos procedimentos do transplante.

g)      Quem pode ser doador?

  • Pessoas entre 18 e 55 anos de idade e em bom estado de saúde;
  • Menores de 18 anos podem doar, desde que haja consentimento de ambos os pais e autorização judicial;
  • Pessoas que não têm doença infecciosa ou incapacitante;
  • Pessoas não portadoras de câncer ou que não tenham recebido tratamento prévio baseado em quimioterapia.

h)      Como proceder para doar?

É possível se cadastrar como doador voluntário de medula óssea nos hemocentros dos estados. Consulte o hemocentro mais próximo no endereço eletrônico: http://www1.inca.gov.br/conteudo_view.asp?ID=2639.

É retirada pela veia uma pequena quantidade de sangue (5 a 10 ml) e preenchida uma ficha com informações pessoais.

O sangue será tipificado por exame de histocompatibilidade (HLA), teste de laboratório para identificar suas características genéticas que podem influenciar no transplante. Seu tipo de HLA será incluído no cadastro. Os resultados são confidenciais e servem apenas para fins do Registro Brasileiro de Doadores de Medula Óssea (Redome).

i)        Como é o transplante para o doador?

A doação é um procedimento que se faz em centro cirúrgico, sob anestesia peridural ou geral, e requer internação por um mínimo de 24 horas. Nos primeiros três dias após a doação pode haver desconforto localizado, de leve a moderado, que pode ser amenizado com o uso de analgésicos e medidas simples. Normalmente, os doadores retornam às suas atividades habituais depois da primeira semana.

Existe outra forma de obtenção das células-tronco da medula óssea, que utiliza uma máquina específica (aférese) para separar do sangue periférico (corrente sanguínea) as células necessárias para o transplante. Neste caso, o doador tem de receber um medicamento antes da doação (fator de crescimento), que estimule a medula óssea a liberar essas células para a corrente sanguínea. Tal técnica só é utilizada em casos específicos, sob decisão médica e com consentimento do doador.

j)        O doador corre riscos?

Os riscos são poucos e relacionados a um procedimento que necessita de anestesia. Uma avaliação pré-operatória detalhada verifica as condições clínicas e cardiovasculares do doador, visando a orientar a equipe anestésica envolvida no procedimento operatório. Podem ocorrer alguns destes sintomas após a doação: dor local, astenia (fraqueza temporária), dor de cabeça. Esses sintomas, porém, são passageiros e controlados com medicamentos simples, como analgésicos.

k)     Quanto é retirado da medula do doador?

É necessária a retirada de pelo menos 15% da quantidade de medula óssea do doador, para que seja transplantada no receptor (paciente). O doador, neste procedimento, deverá estar necessariamente vivo. As células progenitoras (células-mãe do sangue) doadas se regeneram em poucas semanas, não acarretando nenhum dano à saúde do doador.

l)        Qual a compatibilidade necessária entre doador e receptor?

Para a realização do transplante há necessidade de compatibilidade HLA (Antígenos Leucocitários Humanos) absoluta entre doador e receptor.

A compatibilidade HLA é verificada por testes de sorologia e/ou por biologia molecular através de uma amostra de sangue periférico, procedimento igual ao de um simples exame de sangue. As moléculas HLA estão presentes na superfície de todas as nossas células nucleadas, e as características genéticas, ou a tipagem, de cada indivíduo são herdadas metade do pai, metade da mãe.

m)    Como é feita a pesquisa por um doador compatível?

Os dados da base do Redome são cruzados constantemente com os dos pacientes que precisam de transplante de medula óssea. Se o doador for compatível com algum paciente, outros exames de sangue serão necessários.

Se houver compatibilidade, o doador será consultado para confirmar que deseja realizar a doação. Se a resposta for positiva, o seu estado atual de saúde será avaliado e será agendada a doação.

n)      Como conseguir um doador?

O doador compatível deve ser procurado, em primeiro lugar, entre os membros da família. Entre irmãos do mesmo pai e da mesma mãe, a chance de encontrar um irmão idêntico é de 25%. Aproximadamente 60% dos pacientes não encontram doador na família e precisam buscar um doador compatível voluntário cadastrado no Registro Brasileiro de Doadores de Medula Óssea.

o)      O que fazer quando não há um doador compatível?

Quando não há um doador compatível entre seus irmãos, ou quando o paciente não tem irmão consanguíneo (de mesmo pai e mãe), é necessário fazer uma busca nos registros de doadores voluntários, tanto no Redome – Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea – como nos do exterior. O Redome é o responsável por toda a busca junto aos registros internacionais de doadores.

O Redome conta hoje com mais de três milhões de doadores. Existem mais de 21 milhões de doadores em todo o mundo.

p)      Como é feita a doação?

Existem três formas de doar as células-tronco da medula óssea. Na primeira, as células são coletadas diretamente de dentro da medula óssea (nos ossos da bacia); na segunda, por filtração do sangue que passa pelas veias (aférese) e por último, é coletado o sangue que fica armazenado no cordão umbilical do recém-nascido.

A coleta direta da medula óssea é realizada com agulha especial e seringa na região da bacia. Retira-se da medula do doador a quantidade adequada para o paciente (receptor).

Para que o doador não sinta dor, é realizada anestesia; o procedimento dura em média 60 minutos. A sensação de incômodo do doador é de média intensidade e permanece por cerca de uma semana (2 a 14 dias), semelhante a uma queda, ou a uma injeção oleosa. Não fica cicatriz, apenas a marca de três a cinco furos de agulha. É importante destacar que não é uma cirurgia, ou seja, não há corte, nem pontos. O doador fica em observação por um dia e pode retornar para sua casa no dia seguinte.

Na coleta pela veia, é realizada a filtração do sangue através de procedimento com o uso de máquina de aférese. O doador recebe um medicamento por cinco dias, período em que há estímulo para a multiplicação das células-tronco. Essas células migram da medula para as veias e são filtradas. O processo de filtração dura em média três horas, até que se obtenha o número adequado de células. O efeito colateral mais frequente desse procedimento é em razão do uso do medicamento, que, em alguns doadores, pode se dar como dor no corpo, semelhante ao sintoma de uma gripe.

No caso do sangue de cordão umbilical, as células são coletadas após a secção (corte) do cordão, não trazendo riscos ao recém-nascido, utilizando uma seringa e a força da gravidade.

q)      Quem paga os procedimentos de doação?

O Sistema Único de Saúde – SUS financia todo o procedimento de doação de medula óssea.

r)       Como é o transplante para o paciente?

Depois de receber intensa dose de quimioterapia, associada ou não à radioterapia, com o objetivo de destruir as células da doença e da própria matriz de células normais da medula óssea, o paciente recebe as células da medula sadia. Essa infusão é semelhante a uma transfusão de sangue comum. Essa nova medula é rica em células chamadas “progenitoras” ou “células-tronco”, que, uma vez na corrente sanguínea, circulam e vão se alojar na medula óssea, onde se desenvolvem.

Durante o período em que essas células ainda não são capazes de produzir glóbulos brancos, vermelhos e plaquetas em quantidade suficiente para manter as taxas dentro da normalidade, o paciente fica mais exposto a episódios infecciosos e hemorragias. Em função disso, ele permanece internado no hospital, em regime de isolamento. Por um período em torno de três a quatro semanas o paciente necessitará ser mantido internado e, apesar de todos os cuidados, episódios de febre são muito comuns.

Após a recuperação da medula, o paciente continua a receber tratamento, só que em regime ambulatorial, com consultas regulares; no caso do transplante alogênico, por uma a três vezes por semana, no hospital ou no consultório, e uma vez por mês, no caso do transplante autólogo.

s)      Quais são os riscos para o paciente?

Os resultados do transplante para o paciente dependem de fatores tais como o estágio de sua doença, sua condição clínica e a presença de doenças prévias que possam aumentar a incidência de complicações. Os principais riscos no transplante se relacionam à ocorrência de infecções potencialmente graves e toxicidade pelos medicamentos quimioterápicos.

Após a recuperação das funções da medula e da alta hospitalar do paciente, segue-se uma fase de acompanhamento ambulatorial, em que o paciente é monitorado quanto a problemas que podem ocorrer, como a doença do enxerto contra o hospedeiro, a toxicidade de medicamentos imunossupressores e alguns tipos específicos de infecção mais próprios dos pacientes transplantados.

t)       Como posso atualizar o meu endereço no cadastro de doadores?

Se você já é um doador voluntário de medula óssea cadastrado no Redome e deseja atualizar os seus dados de contato, acesse a respectiva pagina do Inca (http://www1.inca.gov.br/doador). O cadastro do doador NÃO é realizado por meio do preenchimento desses dados.

Para se cadastrar como doador voluntário de medula óssea é preciso procurar um hemocentro. Consulte o hemocentro mais próximo no endereço eletrônico: http://www1.inca.gov.br/conteudo_view.asp?ID=2639.

u)      O que é o Redome?

O Redome – Registro Brasileiro de Doadores de Medula Óssea – é um banco de dados (registro) que reúne as informações dos doadores cadastrados; encontra-se instalado no Instituto Nacional de Câncer (Inca), no Rio de Janeiro, e reúne informações dos potenciais doadores (nome, endereço, resultados de exames, características genéticas). Um sistema informatizado cruza as informações genéticas dos doadores voluntários cadastrados no Redome com as dos pacientes que precisam do transplante. Quando é verificada a compatibilidade, a pessoa é convocada para efetivar a doação.

 

6     Transplante de Tecidos

a) Quais tecidos podem ser doados?

Podem ser doados os tecidos oculares como córnea e esclera, e também pele, ossos, cartilagens, tecidos cardiovasculares como valvas cardíacas, vasos, entre outros.

b) Em quais situações os tecidos podem ser doados?

A doação pode ser realizada tanto por doadores com diagnóstico de morte encefálica quando em doadores em situação de parada cardíaca

c) Quem pode realizar a retirada dos tecidos?

Apenas equipes treinadas e autorizadas para a retirada do tecido podem realizar o procedimento. Normalmente são profissionais da equipe própria do banco.

d) Qualquer pessoa pode ser doadora?

Os possíveis doadores de tecidos passam por rigorosa avaliação clinica, física e social, onde a possibilidade de doação poderá ser excluída ou aceita. Serão realizados também exames laboratoriais para detecção de doenças transmissíveis pelo sangue que em caso positivo são contra indicação para a doação e utilização do tecido.

e) Como é o processo de doação de ossos e tecidos?

A doação de tecidos, exceto córnea, é realizada com maior frequência nas localidades onde estão localizados os bancos de tecidos autorizados por conta da infraestrutura, logística e treinamento necessários. Já existe na rotina dos serviços onde estão localizados os bancos de tecidos orientação para as comissões intra-hospitalares de transplante de questionar a família sobre a possibilidade da doação de outros tecidos. Estes tecidos podem ser doados tanto por doadores falecidos bem como de doadores vivos submetidos à cirurgias ortopédicas no caso de ossos e doações (vivo)provenientes de receptores de coração.

f) O paciente que faz uma cirurgia de colocação de prótese (por exemplo de quadril) pode ser um doador vivo?

Sim, este paciente pode realizar a doação da cabeça femural retirada durante o procedimento ortopédico para colocação de prótese, mediante assinatura do Termo de consentimento livre e esclarecido, e após analise das condições fisiológicas e patológicas do tecido.

g) Existe muita negativa familiar no caso de doação de ossos?

Para a doação de ossos cada banco encontra uma realidade local e cada um se encontra em uma fase de conscientização tantos dos profissionais quanto da população quanto à doação de tecidos. Em geral a doação de ossos e de pele sofre preconceito por parte dos familiares por falta de informação. A família pensa que a aparência do familiar falecido poderá ficar comprometida, quando devidamente informados geralmente aceitam fazer a doação, pois as áreas doadoras do corpo não ficam aparentes não deixando sangramento ou deformações.

Saúde baseada em evidências
Disque Saúde - Ouvidoria Geral do SUS
Ministério da Saúde - Governo Federal - Brasil